Conheça o crédito de carbono: a moeda sustentável que se transformou em cripto

Ativo é tido por executivos de peso como um dos que serão mais valorizados num futuro próximo. No Brasil, há um terreno fértil para os negócios verdes.

Cada vez mais a preocupação com as mudanças climáticas e impactos ambientais invadem o mundo corporativo, forçando as empresas a se tornarem mais sustentáveis. Essas novas mudanças, no entanto, requerem altos investimentos e, muitas vezes, uma grande reestruturação. 

Players como Microsoft, Apple, Volvo, Gol e Ifood investem em formas para minimizar ou até neutralizar suas emissões de carbono para os próximos anos. Uma das maneiras de se fazer isso é comprar créditos de carbono.

A retenção de carbono, conhecido como o principal vilão do aquecimento global, tem se tornado um ativo badalado do mercado, pois serve como uma moeda que compensa a emissão de CO² dos compradores. Nos últimos anos, essas transações, antes restritas às empresas, começaram a ser feitas por pessoas físicas, através de cripto ativos de carbono. 

Neste artigo vamos falar um pouco mais sobre os créditos de carbono: entender sua origem e as regras que guiam o mercado, além do nascimento dos cripto ativos de carbono e onde você pode encontrar esses ativos sustentáveis. 

Pronto? Então, vamos lá!

Como o crédito de carbono surgiu?

Os créditos de carbono são frutos de políticas ESGs, uma sigla que já é bem conhecida no mercado financeiro e serve para classificar empresas que seguem boas práticas ambientais, sociais e de governança.

Mas ele começou muito antes da sigla virar moda, em 1997, a partir do Protocolo de Quioto, e passou a ser comercializado como moeda em 2005. Nas negociações de ativos de carbono, a redução ou sequestro do gás gera créditos monetizáveis, certificados por órgãos internacionais, como a ONU, que podem ser comercializados entre empresas e nações,  servindo para compensar o impacto ambiental de quem o compra. 

Outro marco importante para os créditos foi o Tratado de Paris, de 2015, que estabeleceu novas regras para o mercado. Em resumo, serve como um benefício às empresas e projetos que investem na adoção de tecnologias limpas e preservação natural e, ao mesmo tempo, é usado para taxar os grandes emissores de gases de efeito estufa do mundo. 

Até o momento, as metas obrigatórias de contenção do carbono ficam apenas para países desenvolvidos que assinaram o Tratado de Quioto, definição que pode mudar em breve.

O mercado de carbono aguarda uma formatação final de seu modelo de negócio, a partir do novo encontro do Tratado Paris, que deve acontecer até o fim do ano com a reunião das maiores potências globais. A partir da reunião dos líderes, espera-se que todos os países membros estabeleçam metas mais rígidas de emissão e, com isso, o mercado aumente de tamanho.

Como funciona o mercado de carbono?

Cada uma tonelada de CO² que deixou de ser emitida na atmosfera equivale a um crédito de carbono. Estes créditos podem ser certificados por projetos e empresas que conseguiram reduzir ou neutralizar sua “poluição”. Para isso, precisam contratar uma auditoria que vai certificar a geração de créditos e emitir a “nota fiscal”. Esse processo tem um custo elevado e leva tempo, então apenas grandes porções de redução são certificadas, sendo avaliado a questão custo-benefício antes da contratação de uma auditoria. 

Depois desse processo, os créditos podem ser negociados em bolsas internacionais, diretamente entre empresas interessadas ou, mais recentemente, através de cripto ativos de carbono. 

Os créditos de carbono são gerados de diferentes formas: na instalação de energias limpas, como solar e eólica; quando uma empresa investe em reformas e tecnologias que reduzem sua emissão; através da preservação de florestas ou de reflorestamento, entre outras. 

Em todos esses quesitos, o Brasil tem um potencial imenso para ser um dos líderes do mercado de carbono, exportando os ativos verdes nacionais para diversos países, e também ajudando a reduzir a pegada de carbono de empresas brasileiras. Isso porque o país tem a maior capacidade de reflorestamento do mundo, a maior floresta tropical também e uma matriz energética majoritariamente limpa. 

Há quem diga, inclusive, que o Brasil pode ser para o mercado de carbono o que a Arábia Saudita é para o mercado de petróleo. Ou seja, o líder indiscutível do ativo (neste caso, limpo). Mas ainda temos estrada pela frente.

Há vários regramentos que impedem que crédito de carbono seja comercializado globalmente, entre países e empresas, de forma livre. Existem limitações territoriais e diferentes certificações de créditos, então fique ligado!

Há dois tipos de mercados de carbono

Um deles é o mercado regulado, onde as empresas de um território comercializam créditos entre si e têm limites estipulados de emissão. Se emitem carbono acima do limite, devem comprar de empresas do mesmo território que emitiram abaixo do limite. A compra dos ativos é realizada nas bolsas de valores desses territórios. Europa, Califórnia e parte da China estão neste modelo. 

Lembre-se: no mercado regulado, uma empresa da Califórnia só pode comprar de outra californiana, e assim é em todos os territórios regulamentados. 

Não porque o crédito é medido de maneira diferente em cada região, mas porque cada um tem “permissões” diferentes de uso. 

Existem duas formas de precificar o carbono de forma regulada: a taxação de carbono, em que o governo especifica um preço a ser pago por tonelada de carbono emitida, e os sistemas de comércio de emissões, chamados de ‘cap and trade’ ou ‘emissions trading system’ (ETS, na sigla em inglês). E há também sistemas que usam um modelo híbrido, de taxação por sistemas de comércio. 

Nos últimos três anos, essas operações obrigatórias levaram o ativos carbono a subir 187%. “Ao investir neste mercado, você pode ser um dos grandes beneficiados e aproveitar todo o potencial lucrativo dessas transações”, afirmou em abril de 2021 o economista e chefe de investimentos da Vitreo, que tem um fundo de carbono, George Wachsmann.

O outro sistema é o mercado voluntário, do qual a maioria dos países fazem parte, inclusive o Brasil. 

Nele, qualquer pessoa, empresa ou instituição pode vender ou comprar créditos de carbono certificados. Nessa modalidade, a certificação e o comércio de carbono têm menos burocracia e menos custos para quem quer certificar seus créditos. Ele tem o nome de voluntário porque acontece em regiões que têm metas obrigatórias de redução de gases de efeito de estufa. Por isso, ninguém compra créditos no voluntário porque é “obrigado”.

Mas lembre-se: os créditos do mercado voluntário não valem para o regulado. 

As transações no voluntário acontecem em acordos bilaterais e, mais recentemente, por blockchain, simulando a mesma fórmula usada em transações de bitcoin. O valor da unidade varia conforme o tipo de projeto e o volume de créditos. Por exemplo, créditos derivados de projetos de conservação na Amazônia têm mais apelo do que projetos de queima controlada de metano em aterros sanitários, na lógica empresarial.

Mas você pode estar se perguntando: “Por que uma empresa vai comprar créditos de carbono no mercado voluntário se ela não é obrigada por seu país a adquiri-los?” 

Pois bem, as empresas compram créditos porque os consumidores em geral estão cada vez mais críticos aos negócios que são prejudiciais ao meio ambiente. Nenhuma marca quer mais se associar ao desmatamento ou ao uso de combustíveis fósseis. Pelo contrário, em razão da pressão dos consumidores, elas querem ser mais ecológicas e humanizadas. 

Os entusiastas do crédito de carbono, como o executivo Bill Gates e o ex-vice-presidente dos EUA, Al-Gore, acreditam que o ativo deverá ser a commodity mais valiosa do futuro; o ouro do futuro; a nova moeda global que irá guiar a “revolução sustentável”, segundo Al-Gore.  

Cripto ativos de carbono

Os cripto ativos de carbono são relativamente novos e vêm com a função de dar mais segurança para operação e serem catalisadores de investidores pessoas físicas, já que antes esse mercado era exclusivo de empresas e nações. 

Se o mercado de carbono já tem cerca de 15 anos, as criptomoedas de carbono são bem mais recentes, começaram a pipocar no mercado voluntário a partir de 2019. E no Brasil esse modelo tem encontrado terreno fértil no mercado voluntário.

Os negócios por blockchain geram mais segurança, rastreabilidade e monitoramento das áreas ou projetos que receberam as certificações e passaram a gerar créditos. Além disso, o modelo reduz os custos operacionais durante as transações de créditos de carbono. 

A mais conhecida entre as criptomoedas de carbono é o MCO2, token criado pela empresa brasileira Moss, que tem as mesmas características que o crédito de carbono, mas é totalmente virtual. O ativo tem sido usado para compensar as emissões de empresas como a Gol, Ifood, a equipe do token de DeFi, Harvest Finance, e a Moss também fechou parceria com o Financial Times para um evento voltado ao meio ambiente. Tudo isso serve para quantificar o interesse dos empresários frente ao tema.

No caso da criptomoeda da Moss, ela pode ser acessada em exchanges como o Mercado Bitcoin.

No Vector, acessando a aba “Ferramentas” e depois “Novo gráfico”, você pode acompanhar a performance do ativo da Moss, digitando o código do token da empresa: MOC2.  Também é possível acompanhar através da grade de cotações, usando o mesmo código.

É importante dizer que o crédito de carbono sempre vai representar uma tonelada de CO² que já deixou de ser emitida. Se, por acaso, seus créditos são derivados de um projeto de preservação florestal e esta floresta venha a queimar, os seus ativos não perdem o valor. Mas claro, a região afetada dificilmente poderá renovar os certificados de redução de emissão. No caso dos tokens de carbono, os ativos também nunca perdem a validade.

Finalizando

Neste artigo você compreendeu um pouco mais sobre os ativos de carbono e como eles acabaram entrando para o mercado de criptomoedas, negócio dos quais os créditos fazem parte há bem pouco tempo. Também pôde entender como surgiram esses ativos verdes e de que forma estão inseridos no mercado global. 

Mas e aí? Você já conhecia a história dos créditos de carbono? O que você pensa sobre essa nova classe de ativos? Comente aqui e fale também sobre o que achou deste conteúdo!

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